quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Moção de repudio MNLM a truculência dos Governos Eduardo Paes e Sérgio Cabral



O Movimento Nacional de Luta pela Moradia – RJ repudia a repressão e a truculência do Governo do Estado e da Prefeitura do Rio de Janeiro face às manifestações dos profissionais de educação. Em greve desde o dia 8 de agosto de 2013, os profissionais de educação da rede estadual e municipal têm enfrentado o descaso e o autoritarismo dos governos, que ora se negam a receber a categoria ora não se comprometem com o que é acordado. Como se não bastasse, utilizam a violência policial para garantir o prosseguimento da política de privatização da educação pública e precarização dos profissionais da categoria.

A truculência policial dos dias 28 de setembro e 1º de outubro foi emblemática e deixa clara a postura dos governos na condução das políticas sociais (educação, saúde e habitação). Ao enviar para a Câmara dos Vereadores um plano de cargos e salários (PCCR) que exclui 93% dos profissionais o prefeito provocou indignação e revolta de pelo menos 80% da categoria em greve, que, no intuito de evitar as votações e exigir a retirada do PCCR, empreendeu diversas ações, como a ocupação da Câmara dos Vereadores (26/09), o acampamento na porta da mesma e seguidos atos que contaram com a participação de milhares de educadores com o apoio de diversas organizações da sociedade civil.

Na noite do dia 28 de setembro, sem nenhuma liminar, a Polícia Militar (PMERJ), cumprindo ordem do Governador Sérgio Cabral, a pedido do presidente da Câmara dos Vereadores, Jorge Felippe, retirou à força os profissionais da educação que ocupavam o plenário da Câmara. Foram utilizados spray de pimenta, armas de choque, socos e pontapés contra os ocupantes, entre eles também vereadores que tentavam garantir a segurança de todos, gerando um verdadeiro massacre, comprovado por imagens que circulam na internet. Do lado de fora, educadores e manifestantes que davam apoio à causa foram reprimidos violentamente com empurrões e pancadas de cassetetes. Com a chegada do Batalhão de Choque (mascarados e sem nenhuma identificação), a truculência só aumentou. Bombas de gás, spray de pimenta e tiros de borracha foram lançados arbitrariamente contra pessoas desarmadas que estavam sentadas à frente do grupamento. Professores foram presos e levados para a 5ª DP no centro e mais de 20 saíram feridos e prestaram queixa na mesma delegacia.

Apesar do repúdio da população à ação policial do dia 28 e passando por cima dos interesses da grande maioria da categoria, os vereadores da base governista (imensa maioria na câmara) deram continuidade ao processo de votação do PCCR. No dia 1º de outubro finalmente inicia a votação. Para garantir a realização da sessão, a polícia cercou com grades o entorno da Câmara dos Vereadores e um verdadeiro exército de policias, principalmente do batalhão de choque, sitiou as ruas adjacentes, cerceando o direito de ir e vir da população, inclusive dos militantes do MNLM-RJ moradores da Ocupação Manoel Congo, localizada ao lado da Câmara.

Conforme a sessão avançava, a revelia de milhares de manifestantes que se concentravam na Praça da Cinelândia e em parte da Avenida Rio Branco, a indignação ia aumentando. Para garantir a continuidade da votação, iniciou-se uma chuva de bombas de gás para dispersar a população que protestava pacificamente. A polícia avançou em direção aos manifestantes, que incluía profissionais da educação aposentados de idade avançada, que sem alternativa recuavam. A violência se espalhou por todo o centro da cidade, num verdadeiro cenário de guerra. Trabalhadores foram atingidos por balas de borracha e passavam mal com os efeitos do gás, já a polícia parecia indiferente aos gritos de repúdio da grande maioria da população e avançava violentamente em direção aos manifestantes. Vários trabalhadores, muitos que não estavam na manifestação, reagiram jogando pedras e com gritos ofensivos à Polícia Militar.

Os últimos dias evidenciaram a política autoritária do governo estadual e municipal, em especial no que tange as políticas sociais. A ditadura Paes e Cabral não se impõe somente aos profissionais de educação, mas a todos os trabalhadores e trabalhadoras, principalmente os mais empobrecidos. A política de remoções, no qual mais de 65 mil famílias já foram expulsas de forma truculenta de suas casas na cidade do Rio de Janeiro, a política de pacificação que impõe o controle militar das favelas, são exemplos do descaso com as necessidades da população e do compromisso dos governos com as grandes empresas e com a especulação imobiliária. Quando os oprimidos resolvem dar um basta e resolvem exigir políticas públicas que verdadeiramente dêem conta de suas necessidades, os ditadores Paes e Cabral respondem com a violência policial, instalando um clima de terror na cidade. Para os empresários a complacência e o desvio dinheiro público, para os trabalhadores fica a precarização da vida e a truculência policial.

PARE JÁ AS REMOÇOES!!!

PARE JÁ O CONTROLE MILITAR NAS FAVELAS!!!


Remoção Violenta dos Professores da Câmara dos Vereadores (28/09)

http://www.youtube.com/watch?v=3QYQ70F1C3Y

Violencia "gratuita" da policia na Rio Branco e Av Chile (01/10)

http://www.youtube.com/watch?v=27FWPXkpPYc

Ditadura Paes/Cabral nas ruas!!!



Fotografia Luiz Baltar



Fotografia Henrique Zizo

Fotografia Henrique Zizo

             

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

IX Encontro Nacional Etapa Estadual do Movimento Nacional de Luta pela Moradia



PROGRAMAÇÃO

4 DE OUTUBRO

17h Mesa de Abertura:
Função Social da Cidade e da Propriedade: a vida é central!
Plenária de Construção do Ato Unificado Contra as Remoções

5 DE OUTUBRO
Organização Interna
19h30 Roda Cultural nos Arcos da Lapa

6 DE OUTUBRO
Organização Interna


O MNLM Brasil, comemorando seus 23 anos de luta pela Reforma Urbana no Brasil
tem o prazer de convida-los para a Abertura do 9º Encontro a realizar-se em Etapas Municipais e Estaduais a culminar com seu ENCONTRO NACIONAL em Novembro/2013.

Numa conjuntura que nos remete ao resgate de princípios que nos anime na Resistência e na convicção de que MOVIMENTO POPULAR É PARA LUTAR!

Nessa abertura contaremos com a presença de comunidades ameaçadas de remoção e lutadores e lutadoras da Reforma Urbana para que juntos planejemos ações unitárias que enfrentem esse modelo de cidade e para que PAREM ÀS REMOÇÕES!

Na Esperança de que o MOVIMENTO POPULAR MOSTRE A SUA CARA e modifique as Estruturas Injustas e Opressoras;

Contamos com você!

Todo caminho da gente é resvaloso.
Mas também, cair não prejudica demais
A gente levanta, a gente sobe, a gente volta!..
O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim:
Esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa,
Sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.
Ser capaz de ficar alegre e mais alegre no meio da alegria,
E ainda mais alegre no meio da tristeza...


João Guimarães Rosa

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O RIO DE JANEIRO NA MARCHA NACIONAL PELA REFORMA URBANA CONVOCADA PELO FNRU

O Fórum Nacional de Reforma Urbana, composto por 4 movimentos nacionais e entidades ligadas à luta pela reforma urbana em momento de intenso ataque ao direito à cidade e à moradia digna convocou os estados a marcharem no dia 28 de agosto pela urgência de cidades democráticas, justas e sustentáveis.


Durante o dia 28 (quarta-feira) o Movimento Nacional de Luta Pela Moradia (MNLM), a União Nacional por Moradia Popular (UNMP) e a Central de Movimentos Populares (CMP) realizaram no Rio de Janeiro a Marcha Nacional pela Reforma Urbana.

O primeira ação foi a ocupação do prédio da antiga Ocupação Zumbi dos Palmares, que resistiu durante 6 anos e foi despejada em 2011, símbolo de duas grandes agressões: a política de remoções e a recusa dos governos em destinar os imóveis públicos vazios a habitação popular. O prédio de 7 pavimentos, localizado na Rua Venezuela 53, encontra-se sob a posse do INSS, abandonado, e com segurança privada a fim de evitar novas ocupações.

O imóvel está sendo visado pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU) para o reassentamento de moradores alvos do projeto de remoção da Comunidade do Horto, ou seja, o Estado cria um problema: pretende remover uma comunidade centenária estabelecida em área de grande interesse do mercado e, reassenta-la com recursos que deveriam atender às demandas populares por moradia, em um espaço que a muito vem sendo reivindicado para servir de Habitação de Interesse Social.

Saindo do prédio ocupamos o saguão de entrada do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), protestando contra o papel que vem exercendo os órgãos públicos ambientais de todas as esferas inclusive o Ministério do Meio Ambiente, manipulando o interesse ambiental em favorecimento da especulação imobiliária e do grande capital, como nos casos da Comunidade do Horto, Caxias, Petrópolis e Teresópolis.



Em seguida marchamos pela região portuária e Avenida Rio Branco, com uma parada em frente ao prédio sede da Secretaria estadual de Habitação. As portas foram rapidamente baixadas pela segurança e continuamos a marcha até a sede da Caixa Econômica Federal, na Avenida Almirante Barroso, protestando contra a farsa do Minha Casa Minha Vida e do Minha Casa Minha Vida entidades e mais uma vez as portas foram fechadas.


Encerrando o dia de lutas no que deveria ser a reunião do conselho gestor do Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social e que nunca foi por absoluto desrespeito da prefeitura do Rio aos instrumentos de participação popular e aos direitos sociais.



PAREM OS CONTRATOS DO PAC FAVELAS E PAC MOBILIDADE E PAC COPA/OLIMPIADAS QUE ENVOLVEM REMOÇÕES, TIRE AS “TRANS” DA NOSSA CABEÇA!

DESTINAÇÃO DOS IMÓVEIS PÚBLICOS PARA HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL!

PAREM O CONTROLE MILITAR DAS FAVELAS E DAS MOBILIZAÇÕES SOCIAIS!

FIM DA LÓGICA EMPRESARIAL E BANCÁRIA IMPOSTA AO PROGRAMA MINHA CASA MINHA VIDA E MINHA CASA MINHA VIDA ENTIDADES;

IMPLANTAÇÃO DO CONSELHO DAS CIDADES COM DESTITUIÇÃO DO CONSELHO DE NOTÁVEIS!

ABERTURA DA CAIXA PRETA DOS TRANSPORTES COLETIVOS – LICITAÇÃO PÚBLICA SOB CONTROLE SOCIAL!

TARIFA ZERO PARA O TRANSPORTE!

RECURSOS MUNICIPAL E ESTADUAL PARA HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL COM PRIORIDADE PARA ÁREAS INFRAESTRUTURADAS E CENTRAIS – FOMENTO AOS FEHIS E FMHIS!

MORADIA DIGNA PARA OS ATINGIDOS PELOS “DESASTRES NATURAIS”!

QUEM MUDA A CIDADE SOMOS NÓS, REFORMA URBANA JÁ!

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Marcha Nacional Pela Reforma Urbana


PELO DIREITO À CIDADE! REFORMA URBANA JÁ!


Concentração as 7h no Largo de São Francisco da Prainha, próximo a Pedra do Sal.


Convidamos todos e todas para se juntarem na luta pela efetivação da função social da propriedade, visando cidades justas, democráticas e sustentáveis.

Venha se manisfestar e cobrar a ralização de mudanças! Nossas cidades não podem continuar atendendo somente ao interesse de poucos. Temos direito a cidades com moradia digna, transporte público de qualidade, trabalho decente, educação, saúde e cultura.

Marchamos por cidades sem especulação imobiliária, sem despejos, com participação e controle social no processo de desenvolvimento urbano!

Pelo Fim Imediato das Remoções!
Pela Cumprimento da Função Social da Propriedade!
Pela Destinação dos Imóveis Vazios Para Habitação de Interesse Social!

Fórum Nacional de Reforma Urbana (FNRU)
Movimento Nacional de Luta Pela Moradia (MNLM)
Central de Movimentos Populares (CMP)
União Nacional por Moradia Popular (UNMP)

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Para a moradia popular, a lama do Campo da Fé. Para os empresários, os imóveis públicos do centro. FORA PAES!






Hoje, dia 06/08/2013, a Prefeitura irá entregar na mão da iniciativa privada 11 imóveis públicos que poderiam servir para moradia popular na área central. O edital criminoso que destina o que deveria ser do povo aos empresários culturais pode ser encontrado aqui:

Entre os imóveis rifados está o da Rua das Marrecas, 43, antiga Ocupação Lima Barreto que foi despejada pelo Município, e o da Rua Riachuelo 270, onde já existe uma ocupação! 

Dando continuidade a nossa Jornada de luta pela Reforma Urbana e à Campanha pelo cumprimento da Função Social da Propriedade, nós do MNLM-RJ realizamos colagem como forma de denunciar a política desta Prefeitura campeã em remoções, que segrega os empobrecidos, nos expulsando para a periferia da periferia da cidade, enquanto entrega as áreas valorizadas e infraestruturadas para a especulação imobiliária.

Nosso recado é claro: Eduardo Paes vendeu a cidade, mas não irá conseguir entregar!

Chega de remoções de favelas, ocupações e comunidades realizadas com recursos próprios e do Governo Federal!
Chega de favorecer as empreiteiras, construtoras e empresários, haja visto o escândalo do Campo da Fé, do terreno da Vila Autódromo e tantos outros!
Chega de choque de ordem nos ambulantes que tentam trabalhar, e nos moradores em situação de rua que tentam sobreviver!
Chega de Guarda Municipal truculenta e armada para exterminar a pobreza!
Chega de privatizar a cidade!
Horto, Vila Autódromo, Providência e Indiana FICAM!

Pelo cumprimento da Função Social da Cidade, estamos em luta por uma Reforma Urbana em benefício da classe trabalhadora.

FORA PAES!

 Rua Buenos Aires, 321

Rua da Carioca, 58/60 (Rua Sete de Setembro, 213/213 fundos)

Rua das Marrecas, 43

Rua Regente Feijó, 62

 Praça da República, 139



sábado, 20 de julho de 2013

Quem vive para lutar não morre



É com pesar que avisamos que nosso companheiro Sergio da Silva, o nosso querido Serginho, militante do MNLM, faleceu. Nos encontraremos amanhã, às 08h, na Capela E do cemitério do Catumbi.





quinta-feira, 18 de julho de 2013

Não haverá pacto sobre escombros e cadáveres! Não sairemos das ruas!




Nesse momento nos encontramos em vigília, com a comunidade do Horto, Vila Autódromo e outros companheiros em frente à Secretaria de Patrimônio da União. Amanhã dirigentes do MNLM, CMP, UNMP e CONAM estarão reunidos com a Secretaria Geral da Presidência da República, e esperamos que o Governo Federal pare de fazer ouvido de mercador para as vozes que há muito ecoam nas ruas.

Chega de remoções promovidas pelo Governo do Estado e pelos Municípios, com recursos do Governo Federal! Chega de mercantilizar o direito à moradia e premiar a especulação imobiliária! Chega de contar os nossos mortos em meio às chacinas e a polícia "pacificadora"! Não haverá pacto sobre escombros e cadáveres! Não sairemos das ruas!

PAREM AS REMOÇÕES!
PAREM O CONTROLE MILITAR NAS FAVELAS! 
PELO DIREITO À CIDADE E UMA REFORMA URBANA SOB CONTROLE DOS TRABALHADORES!



terça-feira, 16 de julho de 2013

ATO PAREM AS REMOÇÕES E O CONTROLE MILITAR NAS FAVELAS




COMUNIDADES, MOVIMENTOS E GRUPOS EM LUTA PELO DIREITO À CIDADE E À MORADIA CONVOCAM:

DIA 17 DE JULHO - QUARTA FEIRA
CONCENTRAÇÃO: 15 HORAS NA CINELÂNDIA


Trabalhadoras e trabalhadores moradores de ocupações urbanas e favelas nesta quarta-feira, 17 de julho, vamos à SPU (Secretaria de Patrimônio da União) reivindicar nosso direito à moradia e o fim da intervenção militar nas áreas empobrecidas.

O déficit habitacional da cidade do Rio de Janeiro era de 149.200 moradias e a estimativa de imóveis vazios era de cerca de 220 mil unidades. Exigimos que esses imóveis tornem-se moradia popular!

Nas favelas vemos o lado mais duro dessa política excludente, racista e elitista. O trator já passou por cima 5 comunidades. 8 mil pessoas já foram removidas, no contexto dos megaeventos. As UPP's levam medo por onde são implantadas. Mais de uma dezena de jovens foram mortos nas áreas com intervenção militar.

PAREM AS REMOÇÕES:

- Com fundamento no direito à moradia e na função social da propriedade, edição e publicação de portaria interministerial proibindo o aporte de recursos federais em projetos e obras que impliquem na remoção de famílias, devendo os entes federados e empresas, no caso de obras já contratadas, optarem pela não remoção sob pena de não receberem a verba referente ao restante da execução da obra;
- Não à remoção do Horto: revisão da decisão da comissão interministerial, com manutenção das famílias e implementação do projeto de regularização fundiária construído pela UFRJ e SPU em 2010;
- Não à remoção da Vila Autódromo: pelo respeito à CDRU e pela urbanização da comunidade, com a implementação do Plano Popular da Vila Autódromo.
- Recursos públicos imediatos sob controle da comunidade, para eliminação de riscos físicos em áreas consolidadas e fim do falso argumento de RI$CO e AMBIENTAL visando remover pobres para benefício dos ricos;

PAREM O CONTROLE MILITAR NAS FAVELAS:

- Imediata intervenção da Secretaria Nacional de Direitos Humanos a fim de coibir as matanças e chacinas promovidas pela PM, o controle militar do território favelado (neo campos de concentração), a criminalização da pobreza e dos movimentos populares, a truculência das forças militares a serviço do capital e da Lei Geral da Copa;
- Desmilitarização da polícia já!
- Fim das UPPs.

PELO DIREITO À CIDADE E UMA REFORMA URBANA SOB CONTROLE DOS TRABALHADORES:

- Levantamento e destinação dos imóveis públicos para habitação popular;
- Fim das negociatas e da entrega dos imóveis públicos para empreiteiras e prefeitura/governo do estado;
- Imediato cumprimento da Função Social da Propriedade;
- Inclusão da Função Social da Propriedade como elemento essencial nas demandas possessórias no novo Código de Processo Civil em votação na Câmara dos Deputados;
- Imediata destinação de imóveis públicos e/ou desapropriação de particulares para reassentamento dos atingidos pelas chuvas e "desastres naturais";
- Redirecionamento dos recursos disponíveis para o MCMV para a lógica da garantia do direito a moradia e não de fomento do mercado;
- Desburocratização dos procedimentos da Caixa e MCMV-E: tratamento das organizações do movimento popular como sujeitos coletivos e não empreiteiras;
- Destinação de recursos da Secretaria de Patrimônio da União para projetos de habitação popular com a garantia de Imóvel, Assistência Técnica e Regularização Fundiária;
- Submissão dos recursos do PAC e MCMV ao Controle Social em especial aos Sistemas de Desenvolvimento Urbano e de Habitação de Interesse Social;
- Pela revogação da Lei Geral da Copa;

A NOSSA LUTA É TODO DIA, MORADIA NÃO É MERCADORIA!!!

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Nota do MNLM-RJ: Por uma vida sem cadeados e cercas!




Os movimentos populares já estavam acordados antes dos últimos grandes atos que tomaram as ruas do país. Nos últimos trinta anos construímos no diálogo e nas ruas uma plataforma de luta pela reforma urbana anticapitalista, com conquistas como a inclusão da Função Social da Propriedade (Terra) e do Direito Social à Moradia como Direito Constitucional, o Estatuto da Cidade, o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (praticamente destruído pela atuação do governo), a criação do Ministério das Cidades (transformado em moeda de troca no balcão da governabilidade), entre outros.
Por um momento, com a chegada do partido dos trabalhadores à presidência da república, acreditamos que alguns avanços poderiam ser alcançados através de mecanismos institucionais. Entretanto, nos últimos dez anos, os trabalhadores não foram atendidos em sua demanda de intervenção independente e autônoma em defesa de seus direitos. Pelo contrário, o que houve foi o avanço gradual e processual da cooptação e do apassivamento dos movimentos populares, como por exemplo com a “participação” em conselhos cada vez mais esvaziados e sem real poder de intervenção na decisões governamentais sobre a política urbana; a perda da autonomia de agenda em função da agenda institucional; o recebimento de cargos comissionados; a troca da bandeira por uma cidade justa e igualmente distribuída entre tod@s pela negociação pontual de demandas habitacionais.
No lugar do ideário de uma cidade solidariamente partilhada construído nas lutas, recebemos a aceleração de sua mercantilização e de nossos direitos, através das parcerias público-privadas, a terceirização dos serviços públicos, as remoções das camadas mais empobrecidas das áreas de maior interesse da especulação imobiliária, as intervenções e “revitalizações” que multiplicam a mais valia urbana em benefício da especulação imobiliária. Nossos direitos todos passaram a ter preço com a mercantilização crescente da vida, e até mesmo as políticas apresentadas como grandes soluções para a questão da moradia, como o Minha Casa Minha Vida, são reedição do passado da velha e perversa lógica mercantilista que produz mutuários para a alegria dos bancos e desenvolve a Indústria da Construção Civil para a salvação das empreiteiras, enquanto aos trabalhador@s fica a angustia do despejo e a incerteza das novas taxas e prestações.
Atualmente, a Copa e as Olimpíadas agravam este quadro, sendo utilizadas como um grande instrumento de controle e lucro do capital nacional e internacional. A Lei Geral da Copa, que entrega o território nacional à FIFA e às empresas que a patrocinam, entra em choque com os interesses da classe trabalhadora, retirando direitos, e por outro lado a instituição do Estado de Exceção e a lei de terrorismo que criminaliza todos aqueles que lutarem por esses direitos, são exemplos de como o Estado governado pelos outrora aliados da classe trabalhadora vem mantendo e aprofundando a defesa intransigente da Ordem instituída pelo  poder econômico.
Nas últimas semanas, o ritmo dos acontecimentos acelerou. As multidões tomaram as ruas das cidades, e especialmente no dia 20/06, manifestações em cerca de 400 cidades levaram milhões de pessoas aos atos. Não fazia duas semanas que as manifestações por redução de tarifa haviam se iniciado e a intensa repressão policial levou a que a luta transbordasse as pautas, perfil dos manifestantes e dimensões originais das mobilizações. Na cidade em que a multidão foi maior, o Rio de Janeiro, centenas de milhares de manifestantes foram às ruas no dia 17 e no mínimo um milhão esteve no centro da cidade no dia 20. Tudo isso mesmo depois que prefeitos e governadores recuaram e revogaram os aumentos.
O povo rompeu com sua estagnação por estar se sentindo diariamente massacrado e frustrado nas suas perspectivas e referências de transformação. O desrespeito e a mercantilização constante das necessidades mais básicas da população e o fosso que se abriu entre a classe e suas referências organizativas e simbólicas de um outro modelo de sociedade, determinaram um grito individual de “COM LICENÇA VOU A LUTA!”.
Nesse sentido é um desafio para nós do movimento popular e para o campo da esquerda Socialista canalizar a energia e a indignação do povo para derrotar nosso verdadeiro inimigo que é o capitalismo, identificando as formas de dominação com que ele se apresenta na nossa dura e sofrida realidade. Sem medo e/ou constrangimento de afirmar nossas bandeiras de luta e sem vacilar diante daqueles que as substituíram ou as esconderam no “lugar de conforto” das chapas brancas refrigeradas pelo sopro ilusório do consenso Capital/Trabalho.
Governantes da Ordem e Progresso, mídia corporativa e políticos de direita fazem uma distinção entre os cidadãos pacíficos e ordeiros que defendem “um Brasil melhor” e os “vândalos”, que estão provocando os confrontos com a polícia. O que eles querem é criminalizar os Movimentos Sociais que não se pautarem pela Ordem Econômica que exclui e oprime. Alinham-se para dirigir nossas manifestações! Querem pautar nossa luta, bocas e cartazes e dirigi-los para um desfecho conciliável com o modo capitalista de saquear a cidade e o país. A velha direita quer o povo nas ruas contra a corrupção, como se esta tivesse sido concebida no Governo do PT e não fosse inerente ao capitalismo, contra partidos de esquerda e contra todos os símbolos das organizações de esquerda como nossas bandeiras vermelhas. A nova direita quer nos ver nas ruas organizando comitês, abaixo assinados e seminários para desviar de novo o foco das nossas pautas eminentemente econômicas, contra as quais o governo tem feito ouvido de mercador. A velha direita utilizou este mesmo mecanismo contra as mobilizações sociais em passado recente, ao contrário do que o dito popular afirma, a Classe Trabalhadora tem memória!
Nesse sentido, se vandalismo é ocupar imóveis vazios que não cumprem nenhuma função social para conquistar a nossa moradia, somos vândalos; se vandalismo é reconhecer que os direitos fundamentais não têm preço, somos vândalos; se questionar a propriedade privada para geração de lucro e exploração do trabalhador é vandalismo, somos vândalos; se resistir às remoções e ao controle militar nas favelas é vandalismo, somos vândalos. Não continuaremos reféns da Ordem que nos exclui, queremos destruir essa ordem de exclusão para construir outra onde tenha espaço para tod@s. Tudo que existe foi criado para ser partilhado entre todos os homens e mulheres, e não por uma parcela mínima da sociedade. A terra e a natureza não foram criadas com cercas, cadeados e catracas.
A generalização das mobilizações de rua nas cidades em todo país e a possibilidade da disputa de rumos destas mobilizações lograrem êxito no sentido dos direitos humanos, sociais e econômicos facistiza a velha direita e desestabiliza a governabilidade da nova direta calcada no pacto com as elites. A instabilidade do Governo Federal e sua base aliada o compele a buscar  assumir o controle sobre as reivindicações populares sem contudo atendê-las. Como grande “solução”, surge a proposta do Plebiscito para Reforma Política, que tem como principal objetivo desmobilizar a luta nas ruas e desviar o foco das reformas estruturais necessárias, como se a sociedade capitalista fosse perfeita e o problema estivesse no sistema político. Nenhuma reforma faz sentido isoladamente. As formas de democracia participativa consagradas na Constituição de 1988 são conquistas de um momento histórico em que os Movimentos Sociais questionaram nas ruas a subserviência do estado através de seus mandatários ao capital. Utilizá-los agora como instrumento de desmobilização na garantia da continuidade da subserviência é golpe. Não vamos sair das ruas.
Neste momento de disputa de interesses antagônicos, queremos diferenciar o caráter das mobilizações em duas vertentes: aqueles convocados espontaneamente pelas redes sociais e os demais chamados pelas organizações políticas de esquerda, com bandeiras claras e bem definidas. Conclamamos a unidade para uma agenda de lutas que resgate o passivo da última década e consideramos urgente a formação de uma frente anticapitalista que recoloque na agenda nacional da classe trabalhadora o enfrentamento ao capital.
CONTINUAREMOS NAS RUAS COM NOSSA PAUTA:
- Pare as remoções e o controle militar das favelas;
- Moradia não é mercadoria;
- Pelo cumprimento da Função Social da Cidade e da Propriedade;
- Cumprimento do Estatuto da Cidade;
- Encaminhamento da Proposta de criação do SNDU;
- Revisão da lógica e concepção do Programa Minha Casa Minha Vida;
- Controle democrático popular do planejamento e execução do PAC;
- Desburocratização dos programas habitacionais;

- Moradia digna para os desabrigados pelas chuvas e desastres "naturais";
- Intervenção governamental nas áreas de conflito fundiário anunciado em garantia do direito a moradia;
- Imediata destinação dos imóveis públicos vazios e subutilizados para Moradia Popular;
- Direito a mobilidade urbana – estatização do transporte e tarifa zero;
- Fim da repressão policial e criminalização dos movimentos populares;
- CPI da Rio Previdência;
- Dinheiro da copa para moradia, saúde e educação;
- Revogação imediata da Lei Geral da copa e não aprovação da lei do terrorismo;
- Gestão democrática das cidades com decisão popular;
- REFORMA URBANA JÁ!!!

POR UMA VIDA SEM CADEADOS E CERCAS!!!

PLENÁRIA DE 07 DE JULHO DE 2013
MOVIMENTO NACIONAL DE LUTA PELA MORADIA - RJ